sexta-feira, 11 de junho de 2010

ONU decide errado

O Brasil e a Turquia votaram contra a decisão do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) desta quarta-feira (09 Jun) que sancionou o Irã por conta de sua política desenvolvimentista atômica.
Desde 2006, esta é a 4ª sanção aplicada pelo CS ao país muçulmano dos Aiatolás. Nas 3 sanções anteriores houve unanimidade do CS nas decisões.
Segundo o Irã, a sua política atômica visa fins pacíficos. Para isso, tem necessidade de produzir urânio enriquecido a 20% para alimentar as usinas atômicas existentes e futuras.
Consta que as usinas movidas a energia atômica deverão ser utilizadas para a geração de energia elétrica, basicamente.
O que provocou a discórdia no CS, a par da abstenção do Líbano, foi o acordo entabulado em 24 de maio passado por Brasil e Turquia, de um lado, e Irã, do outro, onde Teerã (capital do Irã) entregaria 1,2 toneladas de urânio enriquecido a 3% e receberia dos turcos, um ano depois, o urânio a 20% para ser utilizado em seus reatores nucleares.
No momento atual, isso representaria cerca de 40% do estoque de urânio existente no país dos Aiatolás.
Ademais, essa era a medida acertada pelo CS para refrear a corrida atômica do país muçulmano. A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) foi quem detalhou a proposta base colocada em prática pelo acordo tripartite de Teerã.
O combustível recebido pela Turquia seria repassado à França e, com base em tecnologia americana e apoio da Rússia, processaria o material no percentual acordado, devolvendo-o, posteriormente, à Turquia para entrega aos iranianos.
O que deu errado? Os Estados Unidos (EUA) não conseguiram ou não queriam o acordo atômico (pensavam ser restrito demais para ser aceito pelos iranianos) e ficaram "enciumados" quando a política conciliadora de Brasil e Turquia "dobrou" o "barbudo do Oriente Médio" Mahmoud Ahmadinejad.
Incontinenti, os EUA pressionaram os outros 11 "fantoches" do CS para aprovarem a atual sanção, com a desculpa que ainda assim restará muito urânio nas mãos da "guarda revolucionária" para fabricar armas atômicas.
Na prática, o CS tem 12 membros, mas somente 5 tem assento permanente e direito a veto: a China, os Estados Unidos, a França, o Reino Unido e a Rússia. Há, ainda, os 6 membros temporários rotativos, entre eles o Brasil e a Turquia. Finalmente, há o caso especial da Alemanha, que é país agregado permanente ao grupo dos 5, mas sem poder de veto.
O que se percebe é a política do faça-o-que-eu-digo, mas não-faça-o-que-eu-faço. Também ressurge o interesse econômico, na medida em que a inserção do Brasil e Turquia no negócio do processamento do urânio retiraria de 3 integrantes permanentes do CS o monopólio do custo financeiro.
De observar, os 5 componentes do CS com poder de veto têm arsenal atômico. Esses países querem a redução ou inibição de armas atômicas nos outros países, visando manter estável o oligopólio atômico deles.
Na verdade, o que se vê é mais uma ação truculenta do mais forte contra o mais fraco, a fim de criar dificuldades para vender facilidades no futuro, leia-se comércio bélico, para começar.
CG, MS, 10 08:55 Jun 10
Mauro MESTRE
Pensador

CONHEÇA: http://pt.wikipedia.org/wiki/Irã

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