sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Ana Maria Braga e os bêbados

Olá Ana Maria Braga,

Em primeiro lugar gostaria de dizer que o seu programa é muito divertido, porque tem à frente uma pessoa que está sempre de bem com a vida.
A felicidade, aliás Ana Maria, é uma questão pessoal, mas que se for ampliada para a sociedade pode contaminar a todos e combater os maus cidadãos.
Na verdade o que me motivou a escrever para você foi a sua indicação do site: www.naofoiacidente.com.br que se propõe a agravar as penalidades para quem atropela alguém sob o efeito de álcool.
Pois bem, você disse que:
1) a melhor solução seria o encarceramento puro e simples do infrator;
2) o infrator sabe de antemão que não pode beber e sair dirigindo;
3) dito indiretamente, a fiança é irrisória, e deveria ser de valor maior; e
4) finalizou dizendo, que há muitos atropeladores soltos pelo país.
Sobre o valor da fiança acredito que ela deveria ser estipulada em face do valor do dano causado pelo infrator, inclusive possíveis indenizações por perdas e danos.
Quanto a saber se pode ou não dirigir após beber é algo discutível.
Você diz que não pode dirigir porque está sóbria no momento que desferiu esse argumento.
Hipoteticamente falando, será que você diria a mesma coisa se estive sob o mesmo efeito etílico do infrator?
Por ai, se vê que esses argumentos sem base científica, mas de cunho emocional, não seria a solução para a panacéia que se transformou o sistema mundial punitivista.
Já sobre as demais afirmações Ana Maria, ao contrário de você, tenho opinião totalmente divergente e mesmo inovadora.
Sucintamente poderia colocar a você que se todos os que fossem encarcerados por cometer um ato impensado ou deslize momentâneo não haveria espaço físico para comportar tal massa carcerária.
Numa conta simples, se 10% (dez por cento) da população brasileira incorresse em infrações à lei vigente, o que é um percentual baixo estatisticamente, teríamos nada mais nada menos que 19 milhões de presos.
Você imagina isso?
Some-se a isso os adjacentes aos presos que são os familiares, os parentes e os amigos que também sofrem com a situação.
A conta iria "explodir"!
Pela sua opinião posso depreender que seu modelo de solução de conflitos é encarcerar os causadores e lavar as mãos para o que possa lhes ocorrer, inclusive com os seus "asseclas".
Na verdade, esse sistema simplesmente é inviável porque:
1) não haveria espaço suficiente para acomodar os presos e detidos;
2) não seriam suficientes os recursos públicos e mesmo os privados nessa contenção de "violência";
3) não é humanamente lógico segregar indefinidamente outro ser humano, sem ao menos dar-lhe oportunidade de recuperação; e
4) o encarceramento nunca deveria ser a primeira opção para resolver qualquer problema.
Resumidamente, tenho que a solução para esse caso, o qual pode ser extrapolado para todos os "crimes" idealizados pela sociedade, seria a PUNIÇÃO MATERIAL E PECUNIÁRIA.
Mas o que seria isso?
Simples, o causador de infração seria punido da seguinte maneira:
1) perda automática e imediata do instrumento do crime quer seja móvel ou imóvel. Por exemplo, nos crimes de trânsito, com morte, o carro seria automaticamente e imediatamente recolhido ao pátio do DETRAN, e o Juiz decretaria a perda do bem e leilão imediato ou sua destruição total, se ficar inservível após o acidente.
2) cominação de multa proporcional ao evento danoso. Nesse caso o juiz aplicaria a pena no montante suficiente para quitar todas as despesas causadas pelo culpado. Para o cumprimento de tal sanção, seriam alcançados inclusive seus bens e salários, no limite de 50% (cincoenta por cento), até a total quitação da dívida.
Essas medidas não serão independentes, devem ser precedidas de uma reforma das leis vigentes e de novo contrato social, porque essas medidas dependem de outras para que, em conjunto, possam ter a eficácia e eficiência que se deseja de uma sociedade justa e feliz.
Bem Ana Maria essas são as minhas singelas considerações, porque tenho uma visão de sociedade bem diferente dos 99,99 % (noventa e nove vírgula noventa e nove por cento) das pessoas no MUNDO.
Essas pessoas somente vislumbram a dor e a tristeza para solucionar os problemas que lhes atingem.
Infelizmente, inclusive você, com ampla penetração na sociedade brasileira e formadora de opinião que é.
Obrigado pela atenção.
Abração a todos e
ao LORO JOSÉ, meu xará, um forte amplexo.

Mauro Nogueira
Eleitor

PS: não bebo assiduamente e não fumo, o resto, de tudo um pouco.
PS: com pequenas correções.